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F.A.Q.

1. Anticoncepcional hormonal engorda?

O ganho de peso é uma queixa frequente. Pode ser explicado um aumento de até 2-3 kg por retenção hídrica e alteração do metabolismo das gorduras, tanto nos anticoncepcionais orais como nos injetáveis. Geralmente tal efeito é causado pelo progestagênio. Daí a troca de anticoncepcional com menor dosagem deste hormônio pode beneficiar a paciente. Entretanto, com certeza, ganhos excessivos de peso estão relacionados principalmente a uma dieta muito calórica e vida sedentária, com pouca atividade física.

2. Como deve ser realizada a anticoncepção de emergência?

Alguns critérios devem ser lembrados:
- deve ser realizada até 72 horas após a relação sexual;
- deve ser procedimento de exceção;
- a eficácia é maior quanto mais precoce estabelecer-se o procedimento.
Podem ser usadas pílulas anticoncepcionais comuns de alta dosagem com um esquema específico, pílulas próprias para tal finalidade ou DIU de emergência (inserido até o 5º dia pós-coital).

3. Como funciona o endoceptivo?

- Torna o muco do colo uterino mais espesso, dificultando a passagem dos espermatozoides e a fertilização do óvulo.
- Inibe a motilidade dos espermatozoides.
- Inibe o crescimento do endométrio (camada de revestimento interno do útero) tornando-o desfavorável à gravidez e resultando em um sangramento mais curto e menos intenso.

4. O coito interrompido, evitando a ejaculação no interior da cavidade vaginal é eficiente?

Sua eficácia é considerada baixa, mesmo que a ejaculação não ocorra na cavidade vaginal, pois há eliminação de um líquido pré-ejaculação que já contém espermatozoides.

5. O que acontece com a menstruação com o uso do endoceptivo?

Certamente ele modificará seus períodos menstruais. Durante os primeiros 3 a 6 meses após a inserção, muitas mulheres relatam a ocorrência de gotejamentos (pequenas perdas de sangue) ou de pequenos sangramentos fora o período menstrual normal. Em geral, estes sangramentos irregulares cessam de forma espontânea, e a única providência necessária é o uso de absorventes finos, especialmente durante a primeira semana após a inserção do endoceptivo. De modo geral, a menstruação será menos intensa e dolorosa. Em algumas mulheres a menstruação cessa completamente. Quando for removido o endoceptivo, os períodos menstruais voltarão a ter suas características habituais.

6. O que é anticoncepção de emergência?

É quando a mulher tem relação sexual sem proteção qualquer no momento da relação. Está indicada nas seguintes situações:
- relação sexual não planejada e desprotegida;
- uso inadequado de anticoncepcionais;
- falha contraceptiva presumida (exemplo: estourou a camisinha);
- violência sexual (estupro).

7. O que é endoceptivo?

É um método contraceptivo de longa duração e reversível em forma de "T" que é inserido dentro do útero (de forma similar ao DIU) e que contém levonorgestrel (hormônio progestagênico).

8. O que pode interferir na falha contraceptiva da pílula?

- uso incorreto do anticoncepcional, esquecimentos frequentes;
- má-absorção do medicamento pelo sistema gastrointestinal (vômitos, diarreia);
- uso de outros medicamentos que possam interferir em seu efeito contraceptivo (exemplo: rifampicina, fenitoína, fenobarbital, ampicilina).

9. O que pode ser usado para evitar gravidez na amamentação?

A amamentação auxilia na contracepção e pode ser usada como método contraceptivo desde que seja exclusivamente (ou quase) no peito, a mulher não tenha menstruado e por até 6 meses após o nascimento. Se estas condições não estiverem presentes, outro método deve ser associado.
Dentre as opções temos: métodos de barreira, DIU, laqueadura tubária ou vasectomia como de primeira escolha. O uso de anticoncepcionais apenas com progesterona (orais ou injetáveis) como segunda escolha.

10. Por quanto tempo age o endoceptivo?

Por até 5 anos. Se a mulher quiser engravidar antes deste período, basta apenas retirá-lo.

11. Por quanto tempo o DIU pode ser usado?

Depende da validade do DIU que varia, de acordo com o tipo, de 5 a 10 anos. Quando o casal desejar sua remoção, esta poderá ser realizada assim que desejarem.

12. Posso engravidar com o DIU?

Como escrito acima, nenhum método é 100% eficaz. Entretanto, é um método de altíssima eficácia.

13. Quais as regras básicas para sucesso contraceptivo nas usuárias de pílulas anticoncepcionais?

- Tomar ininterruptamente, de preferência no mesmo horário do dia, até o término da cartela
- Parar por 7 dias para nova menstruação e reiniciar no oitavo dia de pausa, mesmo na vigência de menstruação
- Não reiniciar o uso se não houver menstruação, gravidez deve ser descartada
- Em caso de esquecimento, a pílula deve ser tomada no momento em que for lembrada e a próxima, no horário habitual. Se o período for maior que 12 horas, utilizar método de barreira por 3 dias; se for maior que 24 horas, reiniciar o uso de nova cartela e utilizar o método de barreira por todo o novo ciclo.
- Procurar aconselhamento médico se surgirem: hipertensão arterial, enxaqueca importante ou dores importantes no tórax, abdome ou pernas.
- Não suspender seu uso por apresentar sintomas discretos, pois tendem a desaparecer após 2-3 ciclos de uso.
- Não fazer pausa anual, pois tendo acompanhamento médico periódico, seu uso mesmo prolongado não trará problemas.
- Suspender o uso quando realmente desejar engravidar.

14. Quais as vantagens e desvantagens do uso de anticoncepcional injetável?

A vantagem principal é a de que a administração pode ser mensal ou trimestral, dependendo do anticoncepcional.

Desvantagem: a principal é a alteração do ciclo menstrual, com irregularidade. Algumas mulheres não toleram tal alteração.

15. Quais os efeitos colaterais do DIU que possam indicar algum problema mais sério?

- desaparecimento dos fios do DIU;
- palpação de parte do próprio DIU na vagina;
- atraso menstrual de mais de 10 dias (gravidez?);
- corrimento com pus (infecção?);
- sangramento excessivo ou muito frequente, com risco de anemia;
- dor abdominal muito mais intensa que cólica menstrual.

16. Quais os métodos anticoncepcionais?

- Métodos naturais: "tabelinha", coito interrompido, avaliação do muco cervical, controle da temperatura basal;
- Métodos de barreira: camisinhas (masculina e feminina), diafragma, capuz cervical, esponja anticoncepcional. Todos associados à geléia espermicida (destrói espermatozoides);
- Dispositivos intrauterinos (DIU).
- Contraceptivos hormonais: orais ou injetáveis;
- Endoceptivo;
- Cirúrgicos: laqueadura tubária, vasectomia;

17. Qual a relação entre anticoncepcional hormonal e fumo?

Esta associação permite a potencialização de efeitos do fumo sobre o sistema cardiovascular, com maior risco de trombose e doenças coronarianas. O risco passa a ser maior ainda se a mulher tiver mais de 35 anos de idade.

18. Qual o acompanhamento adequado da mulher com DIU?

A mulher deve saber se o DIU encontra-se na posição correta. Isto ela pode perceber sendo instruída pelo médico sobre a palpação dos fios na vagina, sem puxá-los. Ficar atenta quando o fio aumenta muito de comprimento ou não consegue palpá-lo, bem como quando perceber que parte do próprio DIU está na vagina.

Consultas ginecológicas e ultrassonografias periódicas dão maior segurança à paciente.

19. Qual o melhor método contraceptivo na adolescência?

Deverá ser avaliado cada caso. De um modo geral, o uso de anticoncepcionais de muito baixa dosagem associados à camisinha é o método mais utilizado. O uso de camisinha é essencial para evitar doenças sexualmente transmissíveis, principalmente se consideramos que as relações são menos estáveis neste período.

20. Qual o método totalmente eficaz?

Não existe método 100% eficaz. Todos, inclusive os métodos cirúrgicos, podem falhar e causar a gravidez.

21. Qual o problema de se usar outros medicamentos quando se usa anticoncepcionais orais?

É importante saber sobre eventuais interações com outros medicamentos. Para isso, seria necessário consultar seu ginecologista. A maioria dos remédios não causa problemas, entretanto duas situações podem ocorrer:
- uma medicação reduzir o efeito anticoncepcional da pílula;
- o anticoncepcional atenuar o efeito de outra medicação.

22. Quando deve ser inserido o DIU?

A maioria dos ginecologistas prefere o período menstrual, devido à certeza de ausência de gestação e maior abertura do colo uterino neste período, permitindo inserção mais fácil e menos dolorosa.

23. Quando não deve ser usado o endoceptivo?

- Gravidez confirmada ou suspeita
- Doença inflamatória pélvica
- Câncer uterino
- Anomalias uterinas, inclusive miomas que deformem a cavidade uterina
- Doença hepática ativa ou tumores hepáticos
- Hipersensibilidade aos componentes do endoceptivo.

24. Ter sangramento vaginal fora do período esperado para menstruar, usando anticoncepcional oral, é normal?

É muito comum o chamado sangramento intermenstrual ou sangramento de escape com uso de pílulas anticoncepcionais, principalmente nos primeiros meses de uso. Se isto persistir deve ser feita uma consulta médica para verificar a necessidade ou não de troca do anticoncepcional.